quinta-feira, outubro 16, 2008

New Weird America

E essa é uma matéria inédita! Oba!
Pois é, hoje é o dia dos posts longos...


Um homem magro de barba entra no palco. Ele tem maquiagem exagerada no rosto, usa o que parece ser uma fantasia de odalisca e dança de um jeito estranho. Ele também canta de um jeito estranho. Não, não é Nei Matogrosso. Ele é Devendra Banhart. Em algum outro palco do mundo se apresenta uma menina loira, de pele ávida, voz delicada, finíssima. Ela toca uma harpa. O que Joana Newsom e Devendra Banhart têm em comum? Ambos têm sido classificados como parte do movimento New Weird America.
O folk e o rock psicodélico são a base às vezes invisível. Alguma coisa de free jazz, noise, eletrônica, enfim, alguma coisa esquisita é salpicada por cima dessa música. Salpicar não é regra: se pode misturar, bater, entrelaçar, alternar. Também vale jogar com letras em um idioma desconhecido ao ouvido das massas, ou mais de um idioma. O New Weird America é um gênero sem receita pronta. O termo foi criado pelo jornalista David Keenan numa matéria de capa publicada na edição de julho de 2003 da vanguardista revista inglesa Wire. Keenan fazia referência ao Old New America, derivado do título do livro de Greil Marcus que descrevia as possíveis conexões entre a coletânea Anthology of American Folk Music (clássicos do folk entre 1927 e 1932) e a música de Bob Dylan e sua turma. O texto da Wire foi escrito logo depois do Brattleboro Free Folk Festival (Vermont, EUA) e destacava o grupo Sunburned Hand of the Man como um dos protagonistas do evento. Apesar de ter sido criado há quase cinco anos, somente nos últimos meses o rótulo New Weird América tem sido mais usado. Não é à toa: artistas como Animal Collective, Iron & Wine e Coco Rosie têm estado sob os holofotes da mídia (a especializada, claro) graças a lançamentos, shows performáticos, projetos polêmicos e alguns shows estratégicos pela Europa e Estados Unidos.
Mais do que um simples rótulo, o New Weird pode ser considerado um movimento. Ainda que não seja unificado, é evidente que existe a tendência entre muitos músicos de apostar nessa espécie de revival sessentista/setentista que resgata não só o folk em sua versão mais acid, mas também a psicodelia e o free jazz, pegadas fundas de uma época. Geralmente estes artistas formam mais de um grupo, criam coletivos pelos quais se movem de maneira fluída – uma alegoria do próprio estilo de música que tocam. Como já se pode imaginar, os discos são feitos de maneira completamente independente. Às vezes, só em CD-Rs caseiros e em edições limitadas em vinil, como foi o caso de 500mg, Six Organs of Admittance e Jack Rose poucos anos atrás. Hoje em dia, a maioria conta com sua distribuidora indie além de sua indefectível página no MySpace. Mesmo assim, nada de difusão massiva.
Típico de movimentos vanguardistas, cada artista tem sua maneira peculiar e doida de criar e interpretar suas obras. Talvez por isso seja tão difícil encontrar o fio condutor do New Weird América. É muito fácil se perder nas sonoridades bizarras da voz e da harpa de Joana Newsom, ou nas esquisitices que permeiam as letras e performances de Devendra Banhart, por exemplo. Pois não é que ele mesmo, Devendra Banhart, fez a seleção de faixas que compuseram The Golden Apples of the Sun, um disco de edição limitada produzida especialmente para a revista de arte Arthur Magazine que reúne 20 músicos contemporâneos. Eis a coletânea definitiva do New Weird América:
1. Vetiver (with Hope Sandoval) – "Angel's Share"
2. Joanna Newsom – "Bridges And Balloons"
3. Six Organs of Admittance – "Hazy SF"
4. Viking Moses! – "Crosses"
5. Josephine Foster – "Little Life"
6. Espers – "Byss & Abyss"
7. Vashti Bunyan & Devendra Banhart – "Rejoicing In The Hands"
8. Jana Hunter – "Farm, CA"
9. Currituck Co – "The Tropics Of Cancer"
10. White Magic – "Don't Need"
11. Iron & Wine – "Fever Dream"
12. Diane Cluck – "Heat From Every Corner"
13. Matt Valentine – "Mountains of Yaffa"
14. Entrance – "You Must Turn"
15. Jack Rose – "White Mule"
16. Little Wings – "Look At What The Light Did Now"
17. Scout Niblett – "Wet Road"
18. Troll – "Mexicana"
19. CocoRosie – "Good Friday"
20. Antony – "The Lake"

2 comentários:

Zito disse...

ena, tantas músicas bonitas por aqui

Vetiver,Joanna Newsom e Six Organs of Admittance são muito bons

Anônimo disse...

Cadê o link pra download? buceta. vai dar o cu, vai....e lavar louça, roupa..

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