sexta-feira, julho 27, 2007

Sapo

Tem um sapo coachando aqui dentro. Mais ou menos uma vez por semana ele estica a língua e busca algum inseto perto da minha boca, mas nunca encontra, o coitado. A lingüinha dele subindo pela minha garganta me faz cosquinha. Consquinha é bom, só que às vezes dá uma agonia, né? A gente quer que pare e que nunca pare. Tenho vontade de agarrar a língua dele e puxar o sapo pra fora, mas imagina se o sapo é muito grande? Daí fudeu. Se o sapo for enorme fode tudo. Ele entala, eu nao respiro, eu nao consigo gritar, acabo tendo que engolir o sapo.
Deixa ele lá quietinho, por ora.

Mais de uma

Às vezes eu queria ser dez.
Mas talvez só duas bastasse.

terça-feira, julho 24, 2007

Apagón en Barcelona

Desde ontem diversos bairros de Barcelona estao sem luz.
Isso significa carregar a bike nas costas no escuro até o térreo, cuidar a cada semáforo (porque a maioria nao funciona), nao contar com o metrô que tem atrasos homéricos, ter que buscar lugares para usar a internet (como a ex-faculdade ou o trabalho do namorado), comércio fechado, comidas refrigeradas estragando, nada de ar condicionado ou ventilador num calor de 35 graus.
Ô beleza.
A causa? Muito mal explicada. Uma série de explosoes em centrais elétricas, ainda sem motivo esclarecido.
A soluçao? Por enquanto, quase nula. Há possibilidade de passarmos mais uma noite sem luz.
A reaçao? Uma centena de pessoas batendo panela nas casas e ruas... Quando os primeiros raios de sol se puseram e a noite começou a cair, a batucada começou no meu bairro (Sagrada Família, um dos mais afetados). Foi incrível, parecia um ensaio de escola de samba. A gente também bateu.

Leia mais aqui:
lavanguardia.es

sexta-feira, julho 20, 2007

Até onde isso vai?

"Em março passado, pouco antes do início das obras na pista, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, chamava atenção para a situação do aeroporto, que ao receber um fluxo anual de 15 milhões de passageiros, opera acima de sua capacidade, que seria de 12 milhões de passageiros"

"Pelo aeroporto de Congonhas passam 80% dos vôos no Brasil e por ali circulam diariamente 47 mil passageiros."

Globo Online. 19/07/2007

terça-feira, julho 17, 2007

quarta-feira, junho 20, 2007

Pá tropí abençoá por dê

A partir das minhas "vivências multiculturais": algumas culturas/nacionalidades são muito ingênuas. Seja para o jogo dos relacionamentos, para o tamanho da calcinha, para o sexo, amizades, o que for. Aliás, ouso dizer que nós brasileiros temos sim uma inteligência e sensibilidade afetivo-sexual muito aguçada. Chame isso de malandragem, jogo de cintura, ginga, lo que quieras, cariño.

Virá alguém rápido me acusar de estar generalizando, mas acredito mesmo que há uma tendência. Se pararmos para pensar, exercemos a malícia diariamente no nosso país tropical. Beijamos mais, transamos mais, paqueramos mais, roubamos mais, mentimos mais. Em linhas gerais, fomos criados num mundo bem mais "podrinho” e corrompido (sob o ponto de vista moral) que o da Europa. Com mais dificuldade, perigo e falta de disciplina. Por isso temos esse rebolado, nega! Sem querer chamar os brazucas de espertos ou liberais; não, não. Não é esse o espírito da coisa. Cada um com seu contexto histórico. Até porque o Brasil é cheio de culpas católicas e moralismos ridículos (como não fazer top less) que o fazem de uma terra cheia de hipocrisias e paradoxos. Trata-se de uma simples constatação que também serve de recado para amigos e amigas além mar: cuidado para não tropeçar na malandragem, como diriam os sábios Vermes*!

Às vezes, nosso quadril está lá longe e o gringo ainda não se moveu do seu eixo central. Nem sempre meia palavra basta. Nem sempre um olhar safado serve. Nem sempre uma piadinha funciona. Nem sempre um trocadilho explica. Eu sei, o preto no branco muitas vezes é sacal. Mas no estrangeiro, cumpadi, freqüentemente se faz necessário. Concordo que é mesmo engraçado ver a cara atônita dos durangos ao ver um requebrado. Saiba rir deles, explorar isso, mas não se esqueça de tirar a lição: a boa marcação também pode acabar com um drible. E por que nao aprender novos jeitos de jogar?

terça-feira, junho 19, 2007

SONAR: eu fui!

Poucas experiências sao tao antrpológicas quanto observar um fim de festival de música avançada.

... (momento contemplativo)...

A música nao foi tao avançada assim. Algumas performances ficaram a quilômetros de distância da vanguardia. Tudo bem. O que mais interessa é mesmo a exceçao, e o que mais importou foi que teve mais de uma. Yeah!

Do hip hop ao eletro, do house ao soul, reggae ao hardcore. Barcelona virou musicalglobalvillage, dentro fora em cima embaixo do SONAR. Nao faltou arte, bizarrices, estileira, protestos, palhaços e, que pena!, poluiçao.

*Tem mais na Noize do próximo mês...

sexta-feira, junho 15, 2007

Edukada

Viva a inquietude!
Ela sim, revoluciona o indivíduo e a sociedade.

"O que há de melhor de cada espírito ou ideologia,
se mantém."

quarta-feira, junho 13, 2007

Psinegando-se

Embrenhada em devaneios, me perdi no pensamento, de tanto que teimei que teria de escrever algo aqui.
Esse canto de mim na rede é muito o diva (com til) que hecho de menos. Antes tao privado, agora parece banal. Que mal!

E, de tanto diva.gar, resolvi que nao.

Hoje, nao!

sexta-feira, junho 08, 2007

Di(n)stante

Sonho
desperto
dormindo
aberto
o olho!
aperto
lá longe
de perto
de dentro
estranho



extraño!

quarta-feira, junho 06, 2007

Da ira

Se eu pudesse molhar minha raiva, linda, também molharia. Encharcava a chama de dentro de mim sem vergonha de transparecer o corpo debaixo da blusa.

Esse tal jogo de poder é mesmo ridículo, me enlouquece e me pira. Fazer o quê, como disse, está aí. Gera faíscas. O pior é quando a faísca vira incêndio e queimamos coisas à nossa volta - se nao controlarmos o fogo à tempo, alguns viram carvao. Salve-os quem quiser!

domingo, junho 03, 2007

quarta-feira, maio 30, 2007

Telespectadora de mim mesma

Tenho sentido uma coisa esquisita.
Nao sou mais eu.
Quer dizer, eu sou eu, sim, mas nao Sou.
Deu pra entender?
Eu também nao entendi porra nenhuma.

Achei que fosse um sonho, um desses em que a gente se vê fazendo coisas como se fôssemos personagens de um filme. Meus sonhos sao mais pinturas do Dali do que qualquer outra coisa, por isso me assustei um pouco quando melequei meu pé num relógio derretido numa tarde de sol quando estava bem desperta. Perdi a noçao do tempo.
Me vi aqui, mas minhas pegadas denunciavam que eu já estava lá. Perdi a noçao de espaço.
Ao me tocar, senti a mao afundar em contornos desconhecidos, fluídos e tenros. Perdi a noçao do meu corpo.
Estranho essa coisa de nao se reconhecer. Bem estranho. Meio assustador.

Marquei, entao, um encontro comigo mesma, de última hora. Hoje.
Desmarquei compromissos, decidida a nao me atropelar nem mais um dia.
Me disse umas verdades que eu nao queria ouvir, me passei a mao no cabelo, insisti na companhia solitária de mim até nao saber mais o que dizer e só me olhar.
Enchi o saco. Lavei o rosto e fui fazer.

segunda-feira, maio 28, 2007

Famíliaminha (Despedida II)

Andamos pouco, mas sabemos que fomos longe.
Buscamos raízes, encontramos uns aos outros e nos deparamos com o improvável Azar.
Deu tudo tao errado que a gente quis chorar e num concerto desmembrado fizemos uma sinfonia de soluços, muitos deles escondidos. Secamos a bochecha no desespero de sorrir. Até que se ouviram boas gargalhadas. Eu me lembro.
Cada um com sua queda, seu crime, sua dor, sua doença, sua cabeça dura e seu coraçao descompassado, lá fomos nós.

Lá se vao eles, eu fico. Fica um aperto me esgüelando por dentro que só me escapa com certo atraso, sem querer, numa noite errada. Minhas pernas estao no ar, cadê o chao? De relance vejo que está debaixo da minha cabeça enquanto tudo está ao revés. Dou mais uma cambalhota e, para minha própria surpresa, recupero o norte, porque é no norte em que yo me quedo.

Despedida I

Manametade deixa saudade,
saúda a cidade
saída sem vontade.

Quédame el paso de ayer,
llevas el encuentro de mañana
y, bueno,
hasta luego, hermana!

quinta-feira, maio 10, 2007

A Carol

Foi num desses surtos de falta de inspiraçao que eu comecei a espancar o teclado do meu lap top em busca frenética por alguma coisa em páginas da web, no messenger, num texto velho qualquer.
Eis que errando de link em link eu clico na Carol Teixeira, que nunca leio nem sou grande fa. Na verdade até fazia carinha blasé pra ela. Fazia.
Vejo um texto que traduz exatamente esse pânico da tela em branco, esse medo de escrever um texto de merda, esse impulso de boicotar a nós mesmos inventando desculpas e compromissos para nao tocar os dedos no teclado.

"Mas eis que lendo um livro fantástico, 'A Louca da Casa', da espanhola Rosa Montero, me deparo com um trecho em que ela fala justamente sobre isso. Não só fala como desvenda o mistério que leva alguns escritores, incluindo ela mesma, a sentirem esse pavor e muitas vezes fugirem da escrita. Senti como se ela estivesse explicando exatamente o que eu sentia. Há muito tempo não me dentificava tanto com algo que outra pessoa escrevia. Ela fala que nós, escritores, dependemos muito de uma coisa que os gregos chamariam de daimon, essa coisa inexplicável que alguns chamam de inspiração. Não é como um advogado que se estudou o suficiente saberá executar sua função, não é como um matemático que sempre saberá que dois mais dois são quatro. Não, é diferente. É isso que dá medo, é isso que apavora: começar a escrever e ter medo de não conseguir encontrar o seu daimon."

É! Eu também, Carol, fazia tempo que nao me identificava tanto com algo que outra pessoa escrevia.
Me empolguei e li outros textos dela. Descubri que, nossa! eu tenho muita coisa em comum com essa outra Carol pra quem eu fazia pouco caso.
Como por exemplo rechaçar gostos unânimes (eu nao gostava de Chaves na infância) e ao mesmo tempo ser extremamente eclética pra tanta coisa - sem essa de "ou", o negócio é "e".

Uma hora dessas eu desenvolvo.
Agora tenho que acabar um outro texto.
Acho que encontrei meu daimon.

quarta-feira, maio 09, 2007

T grande

Ah, essa primavera.
Florescem eus, muitos dos quais eu já havia me esquecido.
Entre uma ressurreiçao e outra, borboleteio em linhas e letras, beijo folhas flófis e flúfis, blurp-blurpo bolhas e borbulhas, saboreio líquidos pungentes. Puff! Pensamentos pulsantes permeiam o dia, uma língua esbarra nos dentes, os abro num sorriso com as palmas de um aplauso que eu nunca quero que acabe. Um clapear de gente feliz que nao tem medo de nada, que espalma o hoje num paf conjunto, coletivo, colorido, tudo!

E é por isso que resolvi só fazer as coisas que me dao tesao. Nao é de hoje que tenho isso na cabeça, mas com certeza foi hoje que eu tive um instante de felicidade quando me dei conta de que hoje, eu posso.

domingo, maio 06, 2007

Elevados


"Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular"

terça-feira, maio 01, 2007

Cirque du Soleil, um sonho de infância

Cada pulinho jorrou um “ah” e todas as cambalhotas me inverteram junto. A boca ficou aberta engolindo a mágica.
Numa euforia quase estática, explodi pra dentro.
Talvez alguém tenha visto meus meneios de cabeça bailando com a coreografia. Os bambolês fruta-cor giravam rápido e eu juro que vi faíscas. Quis me atirar do trapézio, voar uns minutos no ar e sentir a mão segura me rodopiar mais uma vezinha só. Me lancei também.

Ser criança lembrou minha dança.
E, na ponta dos pés, eu chorei.

quarta-feira, abril 25, 2007

Flof

Resolvi sentir o chao, para eu nao ficar flutuando demais.
Nao que tenha algo errado em pisar em ice cream, aliás é bom demais, mas nossa Terra tem esse nome nao é à toa, nao é verdade? o planeta é isso mesmo, matéria, e é por isso mesmo que temos que senti-la, a terra, pisar mesmo, lembrar que a vida é aqui e agora, porque afinal de contas se a gente nao fizer ninguém faz pela gente, quantas vezes nao ouvimos isso? se bem que até que tem muita gente que faz coisas pelos outros - até demais, sou super contra dependencias e paradoxalmente sou daquelas pessoas solidárias pra caralho que curte muito mimar namorados, fazer baita mao para amigos e cuidar da própria mae, isso tudo é fantástico, mas vamos combinar, todo o cordao umbilical tem que ser um dia rompido por mais dolorido que seja e haverao outros cordoes e cordas pra gente se agarrar, pendurar, um trapézio, uma cama elástica que serve de impulso prum pulo e no dia em que você souber que você já está lá longe bem afastada do que você já foi, você vai, sim, perder o fio da meada. (o que é a meada, anyway?) eu tava dizendo que o negócio é pisar, mas meus pés tocam de leve numa superfície tao rarefeita que duvido alguém me convencer de que nao sao nuvens.
Só alguns vêem minhas pegadas fofas.

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